Luiz Henrique e Jose Maria da Silva MEP

A história e as pandemias

Luiz Henrique Castro Silva, historiador, franciscano leigo, humanista, acadêmico de psicologia (UFF/VR), professor de Cultura e Cidadania no Pré-Vestibular Cidadão e ex-coordenador do MEP, de forma muito objetiva e didática traçou um olhar sobre a história e as pandemias.

De forma generosa fez referências aos historiadores ligados ao Movimento, que nas entrevistas anteriores abordaram a pandemia Covid-19 sobre o mesmo prisma.

“Os historiadores, dentre outros especialistas das Ciências Humanas, têm oferecido uma preciosa contribuição para os questionamentos elaborados sobre os enigmas das enfermidades, colocando em destaque exatamente as “faces” dos eventos epidêmicos e não apenas descrevendo os fatos mais espetaculares instruídos pelo contato social com uma doença letal. Essa contribuição tem se dado não somente no sentido de descrever fatos sobre epidemias, mas também estabelecer relações que levam em conta as dimensões biológicas quanto sociais das doenças grupais. E dentro dessas análises feitas por historiadores e outros cientistas humanos, percebe-se que as populações mais desprovidas de recursos sociais e materiais, vão ser as mais dizimadas em momentos de pandemias. Não somente em países ditos pobres ou em desenvolvimento, mas também populações localizadas no centro das grandes economias capitalistas mundiais.” Ressaltou inicialmente o historiador.

E seguiu dizendo:

“A pandemia da COVID- 19 tem colocado em xeque questões que permeiam o atual processo do desenvolvimento Humano. Tal processo tem como base de apoio o tripé: produção, consumo e dívida. Esse modelo preconizado por um aumento indefinido da produção como sinônimo de desenvolvimento dizima de forma desastrosa o meio natural sem o qual nenhuma espécie pode sobreviver, inclusive a humana. Esse padrão de crescimento vislumbrado como ideal a ser alcançado por todos os países, não leva em conta que os recursos naturais são finitos. A grande destruição de florestas; o adentramento em meios ambientes nos quais vírus e outras espécies animais convivem adaptadas umas às outras durante séculos ou milênios; a transformação de espécies animais exóticas em alimentos que são vendidos a quem queira experimentar o inusitado e pagar caro pelo prazer de degustá-los, como no caso do turismo, que aumentou enormemente nos últimos anos. Em outras situações, como catástrofes naturais, guerras e empobrecimento extremo, seres humanos são obrigados a lançar mão desses mesmos animais, como forma de alimento.” Explicou o professor.

Ressaltou ainda:

“Na história do Brasil também podemos constatar uma relação intensa entre as vítimas do Coronavirus e situações históricas e sociais que foram estabelecidas no país desde a sua invasão por europeus. O processo de formação de comunidades, o espaço da cidade como lugar da construção de relações no decorrer da história brasileira. Enfim, a história tem demonstrado de forma muito concreta que as pandemias têm ocorrido dentro de um deslocamento humano através do espaço geográfico e das relações que esse ser humano estabelece com o mesmo.”

Convicto, o mestre em cidadania e cultura, finalizou alertando:

“A história humana, estudos e pesquisas atuais tem demonstrado que não há possibilidade de se pensar desenvolvimento em um mundo pós-pandemia que não leve em conta a relação economia e meio ambiente.”

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