Às vésperas dos 72 anos de Volta Redonda, comemorados em 17 de julho, filhos da cidade que hoje vivem em diferentes estados brasileiros e até no exterior manifestam carinho por suas origens e compartilham reflexões a partir dos resultados da Sondagem Popular da Juventude 2026, realizada pelo Movimento Ética na Política de Volta Redonda (MEP-VR). O levantamento, realizado em junho, revelou que a fuga de jovens de Volta Redonda é uma realidade: 61,7% deles pretendem deixar a cidade assim que possível, enquanto 22,8% desejam permanecer e contribuir para a melhoria do município.
Ouvido pelo MEP-VR, o historiador Rafael França Gonçalves dos Santos, doutor e professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), afirma que a pesquisa evidencia que os desafios vão além da geração de empregos. “Tenho um imenso amor por Volta Redonda”. Em sua avaliação, a cidade precisa fortalecer o sentimento de pertencimento, ampliar as oportunidades de trabalho, cultura, esporte e lazer e investir em políticas públicas que envolvam efetivamente a juventude. Para Rafael, acolher os jovens e inseri-los nas decisões sobre o futuro do município é um dos caminhos para que mais pessoas escolham permanecer na cidade.
O pesquisador Henrique Pinto Coelho Siqueira, doutorando em Economia Política pela Universidade de Coimbra e pesquisador na área de Inteligência Artificial e Interação Humano-Computador, atualmente residente em Portugal, considera que a pesquisa revela uma juventude que não enxerga perspectivas de futuro. Para ele, seria importante saber quantos dos jovens que desejam sair permaneceriam em Volta Redonda caso encontrassem oportunidades de trabalho, renda e desenvolvimento profissional. “A maioria provavelmente ficaria. Muitas vezes as pessoas saem por necessidade, não por vontade de deixar a família e a cidade”, observa.
Henrique acrescenta que, em sua análise, os jovens percebem um enfraquecimento da economia regional, marcado pela perda de dinamismo da indústria, pela ausência de novos investimentos, pelas dificuldades enfrentadas pelo comércio e pelas transformações no ensino superior. A pesquisa convida a cidade a refletir sobre seu modelo de desenvolvimento e sobre a necessidade de criar novas oportunidades para as futuras gerações.
Morando em Jaraguá do Sul (SC), o engenheiro metalúrgico Márcio Antônio Paulo, professor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e doutorando em Ciência e Engenharia de Materiais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), mantém vínculos permanentes com Volta Redonda. Para ele, a cidade reúne condições para iniciar um novo ciclo de desenvolvimento. Márcio destaca sua formação em instituições voltaredondenses e acredita que o município possui tradição em educação, trabalho e inovação, além de uma população comprometida com seu crescimento. Em sua avaliação, é possível avançar sem perder a identidade histórica e o calor humano que caracterizam os voltaredondenses.
Também vivendo fora do estado do Rio de Janeiro, a mestre em Ciência Geológica pela UNESP Sílvia Real e Silva, professora de inglês na Wise e residente há mais de sete anos fora de Volta Redonda, observa que o movimento de saída da cidade já fazia parte da trajetória de muitos de seus amigos de infância. Segundo ela, a percepção recorrente é de que Volta Redonda “parou no tempo”, oferecendo poucas oportunidades de crescimento profissional.
Sílvia acrescenta que as novas gerações passaram a valorizar aspectos que influenciam diretamente a decisão de permanecer ou partir, como qualidade ambiental, sustentabilidade, saúde, infraestrutura e opções de lazer. Ao mesmo tempo, ressalta que os voltaredondenses preservam um forte sentimento de pertencimento e profundo carinho pela família, pelos amigos e pela cidade. Em sua avaliação, se Volta Redonda conseguir se modernizar, investir na qualidade de vida e ampliar as oportunidades, poderá reverter o atual movimento de saída de talentos.
Os depoimentos revelam que, mesmo vivendo longe, esses voltaredondenses continuam acompanhando os rumos da cidade e acreditando em seu potencial para que cada vez mais jovens encontrem razões para permanecer, construir seus projetos de vida e contribuir com o desenvolvimento do município e da região.




